Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:

COMPORTAMENTO

Geração 60+ lidera consumo familiar e expõe falhas do mercado

O Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, levanta um debate que ultrapassa o convívio familiar e atinge diretamente a estratégia de negócios das empresas: o crescimento da Economia da Longevidade (ou Silver Economy). De acordo com dados da consultoria Data8, a população com mais de 50 anos já soma 59 milhões de pessoas no Brasil e movimenta anualmente R$ 2 trilhões. Esse contingente responde por cerca de 25% de todo o consumo dos lares brasileiros, com um gasto médio mensal por pessoa 38% superior ao da população abaixo dos 50 anos.

O cenário revela que esse público deixou o papel exclusivo de reclusão doméstica e assistência familiar para assumir a posição de consumidor ativo e financiador do bem-estar de múltiplos lares. Para a psicologia, essa convivência diária entre avós e netos atua como fator de proteção psicossocial mútuo. “A coabitação e o convívio diário configuram um sistema de socialização recíproca. O jovem ganha estabilidade e perspectiva histórica para lidar com crises cotidianas. Já o idoso se atualiza e renova seu senso de utilidade e autoeficácia por meio desse suporte mútuo”, explica Roger Alberti, professor de Psicologia na UniCesumar de Ponta Grossa (PR).

O ritmo de vida mais lento do idoso funciona como um regulador natural de ansiedade para crianças inseridas em rotinas hiperestimuladas. A troca desenvolve a paciência, o foco e a resiliência emocional nos mais novos. Em contrapartida, a inserção dos idosos no universo juvenil, incluindo o aprendizado tecnológico, exige esforço adaptativo que estimula a flexibilidade cognitiva e atua contra o declínio demencial e a depressão tardia.

O erro estratégico

Embora o público sênior comande o planejamento de viagens, o lazer familiar e o orçamento doméstico, a maior parte da iniciativa privada falha em atender suas particularidades. A projeção indica que o consumo dessa fatia da população deve dobrar nas próximas duas décadas, alcançando R$ 3,8 trilhões e respondendo por 35% do consumo nacional até 2044. Ainda assim, o mercado insiste em abordagens obsoletas e segundo o especialista da UniCesumar, o principal erro das empresas é a homogeneização do público 60+ sob o estigma da fragilidade e da reclusão passiva.

O resultado é a oferta de produtos infantilizados ou excessivamente focados apenas em demandas biológicas e geriátricas, ignorando que o idoso busca consumo de lazer e cultura. “As marcas cometem um erro financeiro ao ignorar a autonomia desse público. A exclusão digital disfarçada de modernidade afasta esse consumidor. Interfaces digitais confusas, tipografias reduzidas e barreiras de usabilidade punem o usuário pelo erro, gerando ansiedade e frustração em um cliente que tem poder de decisão e liquidez financeira”, afirma Alberti.

A necessidade de experiências integradas

O desenvolvimento de serviços e experiências de lazer que acolham a convivência entre avós e netos é uma demanda imediata. A oportunidade comercial está na criação de ambientes físicos e digitais que promovam a integração sem gerar ansiedade tecnológica.

“Para o mercado, o recado é direto: desenhar produtos que unem a agilidade do jovem à experiência do idoso gera novas narrativas de cooperação familiar e impulsiona o consumo. Investir no bem-estar e na autonomia da geração 60+ reflete no fortalecimento, inclusive financeiro, de toda a estrutura da família”, conclui o especialista da UniCesumar.

Fonte: Assessoria

Compartilhe: