Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:
*Renato Benvindo Frata é advogado e professor, presidente da honra da Academia de Letras e Artes de Paranavaí - Alap

CRÔNICAS DO BEN

Não se pintam unhas de gato

Inventei um ditado: não se pintam unhas de gato.

Se existe, não sei de que país veio. Se não existe, passa a existir agora, com a advertência sobre o perigo que enfrentará aquele que insistir em pintá-las.

O gato, quando domesticado, é dócil. Enrosca-se nas pernas do dono, mia fininho, pede alimento ou colo, acompanha a família pela casa, brinca com bolinha de papel e vira confidente de avós e crianças.

Porém, que não inventem de mexer nas suas unhas.

Elas são suas armas de defesa e ataque. Quem tem gato, sabe.

Já viu um gato subir em árvore? É mais ágil que macaco. Suas unhas retráteis são seu mecanismo ajudam-no a subir, atacar e se defender. Mas alguns desses bichanos possuem humor de cão! A qualquer mal-entendido, põem à mostra as afiadíssimas unhas e dentes.

Pois não é que esse pet tão agradável é também um ditador? 

Pequeno, é verdade, mas exigente que só ele. Quem o tem, sabe: os movimentos da cauda e das orelhas dizem se está calmo ou nervoso. E nós, os súditos, ficamos à sua disposição por uma vida.

Se o gato desconfia até dos donos, imagine o que pensa das visitas… e dos cachorros do quintal. Ele é desconfiado, talvez como devêssemos ser. Nós, porém, deixamo-nos levar por um belo sorriso, um aperto de mãos, uma palavra doce e alguns tapinhas nas costas.

O gato, não. Com ele é pau, pau, pedra, pedra.

Nisso, o gato se parece conosco: alterna carinho e defesa. A diferença é que ele sabe exatamente quando mostrar as garras. Estabelece seus limites e não negocia as próprias regras.

Nós, bem… temos instinto, coração e aquilo que orgulhosamente chamamos de razão. Na confusão entre os três, quase sempre recolhemos as garras quando deveríamos mostrá-las.

Por isso acabamos por aceitar desaforo, atrevimento e até o descaramento da mentira. Coisa que gato não aceita.

O gato sabe que há momentos de colo e momentos de garra. Nós é que, para parecermos dóceis, às vezes deixamos que nos pintem as unhas.

Fonte: Renato Benvindo Frata

Compartilhe: