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Pedro Signorelli é um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/

ANÁLISE

O bloqueio invisível da inovação: o medo de errar nas organizações 

Em muitas empresas, existe um bloqueio silencioso que compromete a evolução: a intolerância ao erro. No discurso, inovação, autonomia e criatividade são valorizadas. Na prática, no entanto, falhas ainda são tratadas como algo a ser evitado a qualquer custo e, frequentemente, penalizadas.

O resultado, claro, é um ambiente onde o receio de tentar algo novo se instala de forma sutil, mas constante. Ele passa a orientar comportamentos, limitar escolhas e reduzir a capacidade real de avanço das organizações.

Esse padrão não surge por acaso. Ele é resultado de culturas que, ao longo do tempo, associaram desempenho à ausência de falhas e passaram a enxergar o erro como sinal de incapacidade, em vez de etapa natural do aprendizado.

Quando a tentativa é desestimulada, seja de forma explícita ou implícita, o efeito vem rápido. As pessoas começam a jogar no seguro. Isso se traduz em decisões mais previsíveis, pouca abertura para testes, fuga de responsabilidades e, principalmente, falta de inovação consistente.

Em vez de buscar alternativas melhores, mais ousadas, os profissionais optam por caminhos conhecidos, aqueles que oferecem menos riscos. Aos poucos, instala-se uma lógica de repetição, onde preservar o passado parece mais confortável do que construir algo novo.

O problema é que, em contextos dinâmicos, essa postura cobra caro. Quem não testa, não aprende. E quem não aprende, inevitavelmente perde relevância. Mudar esse cenário começa pela criação de segurança psicológica.

Não se trata de flexibilizar metas ou reduzir o nível de exigência, mas de garantir um espaço onde questionar, propor e experimentar não gere medo de represálias. Organizações mais maduras entendem que falhas fazem parte do processo. Elas investigam, extraem aprendizados e evoluem a partir disso. A questão central, então, é como transformar esse conceito em prática cotidiana de gestão.

Modelos de gestão que incentivam aprendizado

É nesse contexto que abordagens mais atuais ganham força. Entre elas, a gestão por Objectives and Key Results (OKRs) se destaca por conectar desempenho com evolução contínua.

Diferente dos modelos tradicionais, baseados em controle rígido e metas imutáveis, os OKRs – Objetivos e Resultados – trazem uma lógica mais flexível e estratégica. O princípio é simples: objetivos realmente desafiadores não precisam ser alcançados integralmente para representarem sucesso. Atingir cerca de 60% a 70% já pode indicar um avanço relevante. Essa mudança altera profundamente a relação das empresas com o risco.

Falhar faz parte da jornada

Quando bem aplicados, os OKRs ajudam a reposicionar o erro. Ele deixa de ser um problema a ser evitado e passa a ser uma fonte de informação. As falhas passam a ser analisadas com mais critério, contribuindo para decisões mais assertivas e ciclos constantes de melhoria.

Isso não diminui a responsabilidade, pelo contrário. Exige mais clareza nos objetivos, acompanhamento próximo e disciplina na execução. O que muda é a leitura do percurso.

Ao incentivar metas mais ambiciosas e mensuráveis, os OKRs estimulam a experimentação. Equipes começam a validar hipóteses, ajustar rapidamente suas estratégias e decidir com base em dados.

Com o tempo, isso promove uma transformação cultural relevante. O foco deixa de ser evitar erros e passa a ser evoluir continuamente. O erro deixa de ser ocultado e passa a ser discutido. O risco deixa de ser evitado e passa a ser administrado.

Empresas que operam dessa forma tendem a se tornar mais ágeis, inovadoras e preparadas para mudanças.

Liderança como fator decisivo

Nenhuma metodologia, por si só, transforma uma organização. O comportamento da liderança é o que sustenta,  ou inviabiliza, qualquer mudança.

São os líderes que determinam, na prática, se o erro será tratado como oportunidade de aprendizado ou como algo inaceitável. São eles que constroem, ou destroem, a segurança psicológica.

Equilíbrio entre resultado e evolução

No fim, a questão não é eliminar o erro, mas mudar seu significado. As empresas precisam equilibrar responsabilidade com experimentação, desempenho com aprendizado contínuo. Evitar riscos pode trazer proteção no curto prazo, mas limita seriamente o futuro. Já organizações que aprendem a lidar melhor com a incerteza criam as bases para inovar de forma consistente e crescer de maneira sustentável.

A reflexão que fica é direta: na sua empresa, o erro é motivo de punição ou já se tornou um motor de evolução?

Fonte: *Pedro Signorelli

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