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RETRATOS

O legado do Frei Ulrico

Em tempos de Éffeta é oportuno fazer um resgate para destacar a memória da Igreja em Paranavaí. Frei Ulrico Goevert foi um religioso. Foi além. Ele se tornou uma autoridade paranavaiense pelo trabalho pastoral, mas também pela atuação na comunidade. Frei Ulrico chegou em agosto de 1951. Em setembro tomou posse como vigário da Paróquia São Sebastião.

O confrade de Academia de Letras e Artes de Paranavaí (Alap), Paulo Marcelo Soares da Silva, apresentou em seu livro “História de Paranavaí” (Fundo Municipal de Cultura – 2015), as primeiras palavras do religioso sobre sua chegada (página 59).

Eis a transcrição: Pouco depois de termos saído de Maringá, o quadro mudou completamente. Pela primeira vez a mata virgem do sul brasileiro. Enormes superfícies foram desmatadas nas semanas anteriores, pois o final de agosto e começo de setembro é o chamado “tempo das queimadas”. Em monstruosas colunas, subia a fumaça céu acima e cobria o sol. Como um prato muito avermelhado estava o sol no horizonte. Uma cinza branca caía suavemente no solo. A cinza parecia como neve suja. As superfícies queimadas causavam uma desoladora impressão! Enormes árvores deitadas como corpos mortos no solo e, ao lado, arbustos meio queimados, estendiam seus poucos galhos nus, como que suplicando aos céus ajuda.

E com perturbadora resignação diante da impotência do homem perante o “progresso inevitável”, concluiu: O provincial leu aparentemente meus pensamentos e polidamente disse: O senhor 

deverá se acostumar com este triste aspecto.

Frei Ulrico Goevert foi o primeiro carmelita a chegar em Paranavaí. Foi pároco de 1951 a 1965. Em 1965 foi transferido para Graciosa como pároco. Voltou para Paranavaí em 1971. Faleceu aos 82 anos em Paranavaí no dia 26 de outubro de 1983. Está sepultado na cripta da Igreja São Sebastião.

Nota: A coluna é feita com a sua participação. Se você tem uma história “daquele tempo” e queira compartilha, envie para [email protected]. Importante inserir informações básicas como data, local e os nomes das pessoas.

Fonte: Texto: Adão Ribeiro Pesquisa: Vera Longo

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