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Mudanças vão gerar impactos na rotina das empresas

REFORMA TRIBUTÁRIA

O que muda para empresas no lucro presumido e por que 2026 é o ano para começar a se preparar

A reforma tributária deixou de ser um projeto para se tornar uma realidade que começará a transformar, aos poucos, a rotina das empresas brasileiras. Embora a transição para o novo modelo seja gradual e se estenda pelos próximos anos, especialistas afirmam que 2026 marca o momento em que empresários precisam sair do campo da observação e começar a fazer simulações sobre os impactos da mudança.

Entre os negócios que merecem atenção especial estão as empresas enquadradas no lucro presumido, regime adotado por boa parte das pequenas e médias empresas brasileiras, principalmente nos setores de serviços, comércio e saúde.

Segundo Lucas Oliveira, diretor da LCS Contabilidade, um dos maiores equívocos é acreditar que a reforma só deve preocupar quando os novos tributos estiverem totalmente implementados.

“As empresas que esperarem a mudança acontecer para depois reagir provavelmente terão menos tempo para ajustar preços, contratos e processos. A preparação começa muito antes da cobrança efetiva.”

A reforma prevê a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS, IPI e parte do IOF por dois novos impostos sobre o consumo: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios. O novo modelo também passa a funcionar com maior aproveitamento de créditos tributários, reduzindo o efeito cascata que existe hoje em diversas operações.

Embora a simplificação seja um dos principais objetivos da reforma, seus efeitos não serão iguais para todos os setores.

O lucro presumido continuará existindo, mas o cenário muda

Um dos pontos que mais geram dúvidas entre empresários é se o lucro presumido deixará de existir.

A resposta é não.

O regime de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) permanece. O que muda é a forma de tributação sobre o consumo.

Na prática, isso significa que empresas continuarão optando pelo lucro presumido para fins de IRPJ e CSLL, mas passarão a conviver com uma nova lógica para os tributos incidentes sobre suas operações.

“Há empresários que confundem as duas coisas. O lucro presumido continua existindo, mas o ambiente tributário em que ele está inserido será diferente. Isso exige uma revisão da estratégia da empresa”, explica Lucas Oliveira.

Precificação passa a ganhar ainda mais importância

Uma das primeiras áreas impactadas pela reforma será a formação de preços.

Hoje, muitas empresas ainda calculam seus preços utilizando uma lógica construída a partir do modelo tributário atual. Com a mudança para CBS e IBS, essa conta precisará ser refeita.

Isso vale principalmente para negócios que trabalham com contratos de longo prazo, prestação de serviços continuada e operações interestaduais.

Segundo Lucas, revisar a precificação não significa apenas alterar valores.

“É entender como o novo custo tributário conversa com a margem da empresa. Em alguns casos, o impacto será pequeno. Em outros, será necessário renegociar contratos ou rever completamente a política comercial.”

A gestão de créditos fiscais ganha outro peso

A reforma amplia a lógica de não cumulatividade dos tributos sobre o consumo, permitindo uma utilização mais ampla de créditos.

Para empresas que hoje praticamente não acompanham esse tema, isso representa uma mudança importante de cultura.

“Quem nunca precisou olhar para crédito tributário com profundidade vai precisar desenvolver esse controle. Isso exige informação contábil de qualidade e processos internos bem organizados.”

Na avaliação da LCS Contabilidade, essa é uma das áreas em que empresas poderão ganhar competitividade nos próximos anos.

Hora de revisar processos, não apenas impostos

Embora a discussão normalmente fique concentrada na carga tributária, Lucas afirma que os impactos vão além dos tributos.

Fluxo de caixa, sistemas de gestão, emissão de documentos fiscais, cadastro de produtos e serviços, contratos com fornecedores e clientes e indicadores financeiros precisarão ser revisados.

“Quando falamos em reforma tributária, muita gente pensa apenas em imposto. Mas ela também muda processos, tecnologia e gestão. Por isso a preparação não deve ficar restrita ao departamento fiscal.”

Quem começa agora tende a sofrer menos depois

A recomendação da LCS Contabilidade é que as empresas utilizem 2026 para construir cenários.

Isso inclui comparar margens, projetar custos, revisar contratos e entender como o novo sistema poderá afetar cada operação.

“Não existe uma fórmula única. Cada empresa terá impactos diferentes. O que existe é a necessidade de deixar de olhar para a reforma como um assunto distante. As decisões tomadas hoje podem determinar o nível de competitividade da empresa quando a transição estiver mais avançada”, conclui Lucas Oliveira.

Fonte: Assessoria

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