A Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), por meio do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), investiu entre 2019 e 2026 cerca de R$ 2,8 bilhões em alimentação na rede estadual de ensino. No período, foram adquiridos mais de 267 milhões de quilos de gêneros alimentícios destinados à preparação das refeições servidas diariamente aos estudantes paranaenses. Para dimensionar o volume adquirido, a quantidade seria suficiente para abastecer uma cidade de 15 mil habitantes por 61 anos, considerando consumo médio diário de 800 gramas de alimentos por pessoa.
A rede escolar passou por uma significativa diversificação, incorporando alimentos inéditos, ampliando a oferta de produtos orgânicos e valorizando ingredientes da agricultura familiar. Nesse intervalo, foram introduzidos ao menos 15 novos itens, incluindo frutas pouco comuns na alimentação escolar, alimentos embalados com tecnologias de conservação, produtos orgânicos e alimentos regionais.
De acordo com o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, garantir alimentação escolar de qualidade é uma das prioridades da educação pública paranaense. Hoje, essa política atende cerca de 1,2 milhão de estudantes matriculados em mais de 2 mil escolas estaduais, com a oferta de aproximadamente 1,5 milhão de refeições todos os dias.
Diversidade com qualidade
Entre as principais incorporações estão as frutas congeladas produzidas a partir de espécies nativas brasileiras. Desde 2025, foram distribuídas 81 toneladas de frutas como juçara, guabiroba, jerivá e jabuticaba, além de goiaba, manga, mamão, acerola, framboesa silvestre e limão-caipira, totalizando investimento de quase R$ 2 milhões.
Outra fruta inserida nos cardápios foi a pitaia, ainda pouco comum na alimentação escolar brasileira. Também tem o pão caseiro orgânico, que se tornou o principal alimento orgânico incorporado à alimentação escolar em volume de compras.
As barrinhas de frutas ganharam espaço como opção de lanche e acumulam aproximadamente 485 toneladas distribuídas, com investimento de R$ 23 milhões. Outros itens que fazem a alegria dos alunos nessa refeição são o pão de queijo e o doce de leite que também passaram a integrar o cardápio em 2025 e acumularam 330 toneladas distribuídas na rede estadual. O aporte foi de R$ 4 milhões.
Entre as inovações estão o arroz e o feijão embalados em atmosfera modificada (ATM). A política de diversificação também ampliou a presença de produtos orgânicos, incluindo arroz polido, feijão preto, feijão carioca, açúcar demerara e farinha de mandioca.
Grande parte desses novos produtos é fornecida por agricultores familiares paranaenses.
Para a diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, a evolução dos cardápios demonstra o compromisso da rede estadual com a qualidade da alimentação escolar. “A inclusão de frutas nativas, produtos orgânicos e alimentos regionais amplia as experiências alimentares dos estudantes e aproxima os alunos da diversidade agrícola do Paraná. Além dos benefícios nutricionais, essa política fortalece a agricultura familiar e contribui para a formação de hábitos alimentares mais saudáveis”, disse.
Controle e qualidade
A alimentação escolar conta com um sistema rigoroso de inspeção para garantir a qualidade dos produtos adquiridos. O controle abrange todas as etapas da cadeia de abastecimento, da produção à entrega nas escolas, garantindo padrões sanitários, nutricionais e de rastreabilidade.
Outro ponto central é a rastreabilidade, que permite identificar a origem dos produtos e acompanhar todas as etapas da cadeia de abastecimento. O modelo também prioriza fornecedores locais, fortalecendo a agricultura familiar e a economia regional, como afirma Andrea Bruginski, responsável técnica pelo PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) no Fundepar.




