Não se dissolvem as pegadas de quem percorreu os caminhos do amor.
Com esta frase, permito-me colocar um ramalhete de flores nos braços de Roza. Entre elas, a rosa-flor que lhe deu o nome.
Para lhe dizer: — Vai, amiga, ao encontro daquela que inspirou seu nome.
Seu pai, o Bem-Bem, quis homenagear, com o seu nascimento, Roza Cabinda. Sim, a primeira escrava negra que soube utilizar a força da boa Justiça para obter a liberdade, no município de Juiz de Fora. Nossa história não registra a data em que Roza Cabinda teria nascido, mas confere o dia 2 de julho de 1873 a de sua liberdade, enquanto mulher-escrava.
Se a história nos dá Roza Cabinda, símbolo de liberdade, a vida nos deu a nossa Roza — a professora, a poetisa e a mulher de rara sensibilidade.” A nossa Roza, a professora, a poetisa, a mulher Rosinha. Voltemos a Santo Antônio de Pádua, RJ, em seu nascimento em 1944, à sua vida desde a infância em Paranavaí onde estudou e se formou, e a transferência de residência para Curitiba, onde veio a falecer.
Possuía graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Paranavaí-PR e o título de mestre em Literatura Brasileira, em Florianópolis.
Atuou como professora desde a adolescência e, a partir de 1996, lecionou na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) em Curitiba.
Como poetisa, tornou-se declamadora, escritora de contos, trovas e literatura infantil, que lhe renderam várias homenagens, diplomas, medalhas, troféus e menções honrosas pelos relevantes serviços à sociedade.
Foi presidente da Academia Paranaense da Poesia, membro das: Academia Sul-Brasileira de Letras, Academia de Letras José Alencar, Academia Feminina de Letras, Círculo de Estudos Bandeirantes, Centro de Letras do Paraná, Centro Paranaense Feminino de Cultura e União Brasileira de Trovadores Seção Curitiba (UBT) e, também, membro-correspondente da Academia de Letras e Artes de Paranavaí, onde cultivou muitos amigos.
Professora aposentada, era craque em palestras e conferências, tendo participado de eventos culturais em várias cidades do Paraná, além de ministrar oficinas de poesia para professores e estudantes.
Na verdade, Roza se dava muito bem entre versos rimados, entre a poesia e a prosa, entre as pessoas de alma limpa, cuja pureza de mãos e gestos, palavras e ação a fazem a Roza que conhecemos, o que nos autoriza a dizer com letras redondas e rechonchudas que Roza deixou para a eternidade pegadas de paz e de amor.
(Homenagem de seus amigos da ALAP – Academia de Letras e Artes de Paranavaí.)




