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Foto: Alex Martins

DENTRO DA LEI

Setor produtivo da mandioca une forças para combater situações degradantes de trabalho no campo

Nesta terça-feira, Simp, Abam e Atimop apresentaram uma cartilha de boas práticas trabalhistas, cujo objetivo é levar informações para todos os agentes envolvidos na cadeia produtiva da mandioca

Para garantir boas práticas de trabalho no campo os produtores precisam fornecer equipamentos de proteção individual (EPIs), oferecer local adequado para refeições, instalar sanitários, permitir o acesso a água potável e fresca e disponibilizar transporte seguro.

Essas e outras determinações legais aparecem de forma detalhada na cartilha desenvolvida pelo Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná (Simp) e pela Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam) em parceria com a Associação Técnica das Indústrias de Mandioca do Paraná (Atimop) e o Ministério Público do Trabalho.

O objetivo é levar informações para todos os agentes envolvidos na cadeia produtiva e, assim, erradicar eventuais situações degradantes e análogas à escravidão.

Lideranças e procuradores do Trabalho concordam que é preciso levar a mobilização adiante
Foto: Alex Martins

A cartilha “Boas práticas de trabalho na cultura da mandioca” foi lançada em Paranavaí na tarde de terça-feira (26) em um evento que reuniu agricultores, industriais, profissionais das áreas jurídica e administrativa das empresas e procuradores do Trabalho.

“A ideia é que o setor se organize para que haja uma mudança concreta de perspectiva. Precisamos, não só como setor produtivo, mas como sociedade, buscar solução definitiva para o trabalho análogo à escravidão”, disse o procurador Lincoln Cordeiro.

Segundo ele, um levantamento feito a partir de notas fiscais emitidas em todo o Brasil mostrou que só em 2025 R$ 48 bilhões foram injetados na economia por empresas ligadas direta ou indiretamente a condições irregulares. Conforme frisou, o número reflete a realidade de diferentes tipos de produção, tanto em áreas rurais quanto urbanas.

O também procurador André Melatti reafirmou que combater a escravidão contemporânea é uma questão de sustentabilidade socioambiental e sugeriu que as indústrias estabeleçam parcerias entre indústria e produtores visando um maior controle da origem da matéria-prima até as fabricas onde são processados os derivados da mandioca.

Evento em Paranavaí reuniu produtores, industriais, profissionais e procuradores do Trabalho
Crédito: Alex Martins

Em razão da redução de custos, agricultores que não cumprem as regras trabalhistas tendem a vender o produto mais barato, o que gera concorrência desleal com os mandiocultores que seguem à risca as boas práticas, ou seja, todo o setor é comprometido. Além disso, existe o risco de que a indústria tenha a imagem atrelada ao trabalho análogo à escravidão.

Paulo Lopes lembrou que esse diálogo existe há anos com os associados do Simp, da Abam e da Atimop, ganhando intensidade a partir de 2024. “Temos que melhorar, e é isso que vamos fazer. Vamos contribuir com o Ministério Público do Trabalho para que as coisas aconteçam da melhor forma possível. O caminho não é fácil, mas vamos adiante. Não tem volta.”

O bate-papo desta terça-feira, disse o presidente do Simp, teve grande importância para mostrar a integração do setor produtivo com o Ministério Público do Trabalho no sentido de oferecer, cada vez mais, condições adequadas para os trabalhadores rurais.

Fonte: Assessoria Simp/Aban

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