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O avião saiu da pista após problemas na aterrisagem. Grande susto

ARTIGO

Sobrevivi a um acidente aéreo: a vida em um segundo

Há momentos em que a vida nos atravessa de forma tão intensa que nenhuma palavra parece suficiente. Essa semana, vivi um desses instantes. Um acidente aéreo. Durante a aterrissagem, o trem de pouso cedeu. O avião raspou a pista com sua “barriga de lata”, faíscas cortando o chão, fumaça preenchendo o ar, hélices se retorcendo. Em segundos, o cenário que parecia rotina se transformou em algo que poderia ter sido o fim.

E é curioso como, diante da iminência do fim, o pensamento não se organiza — ele explode. Família, filhos, esposa, amigos, projetos, sonhos… tudo passa ao mesmo tempo, sem ordem, sem filtro. Não há espaço para vaidade, para preocupações pequenas, para aquilo que tantas vezes ocupa nossos dias sem merecer tanto espaço. Há apenas a consciência crua de que tudo pode acabar ali, de repente.

Mas não acabou.

E talvez seja aí que começa a verdadeira reflexão. A vida não é garantida. Não está sob nosso controle. Não responde aos nossos planos, às nossas agendas ou às nossas certezas. A vida é um sopro — e, às vezes, um sopro interrompido por um segundo que muda tudo. Ou que poderia ter mudado.

Saí ileso. E, ao sair, levei comigo algo maior do que qualquer explicação técnica sobre o ocorrido: levei uma nova percepção sobre o que realmente importa. Gratidão deixou de ser palavra bonita e virou experiência concreta. Fé deixou de ser conceito e se tornou encontro. Quando tudo foge ao controle humano, é ali que se entende, de fato, onde está o verdadeiro comando.

Não posso deixar de registrar meu mais profundo respeito ao comandante daquela aeronave. Em meio ao caos, manteve a lucidez. Conduziu a aeronave para fora da pista, evitando uma tragédia maior. Foi o último a sair. Colocou todos à frente de si. Ali, não havia apenas técnica — havia coragem, responsabilidade e algo que transcende o preparo humano. A ele, meu sincero reconhecimento: há homens que conduzem máquinas, e há homens que salvam vidas.

Depois disso, fui direto ao silêncio. Aos pés do Santíssimo, como quem não busca respostas, mas agradece por ainda poder fazer perguntas. Há coisas que não se explicam — se vivem, se sentem e se agradecem. Em tudo, dar graças deixa de ser frase e passa a ser postura diante da existência.

Se algo fica dessa experiência, é um convite: viver com mais intenção, amar sem economia, valorizar o agora. Porque a vida não avisa. Ela apenas acontece. E, em um segundo, pode nos lembrar que tudo é provisório — exceto aquilo que escolhemos fazer com o tempo que nos é dado.

Anderson Alarcon é advogado, professor, empreendedor, esposo, amigo, cristão e pai

@and.alarcon siga-me

Fonte: *Anderson Alarcon

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