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Números mostram retração no turismo no Estado Foto: Arquivo AEN/Ilustração

NEGÓCIOS

Turismo do Paraná encerra primeiro semestre com retração de 5,3%

Volume das atividades turísticas perdeu ritmo ao longo do semestre e teve queda mais intensa que a média nacional

O turismo paranaense encerrou o primeiro semestre de 2026 com perda de ritmo. De janeiro a junho, o volume das atividades turísticas no estado recuou 5,3% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a média brasileira apresentou queda mais moderada, de 0,9%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) no Boletim do Turismo.

O resultado reflete uma desaceleração que ganhou força ao longo dos primeiros seis meses do ano. Depois de iniciar 2026 praticamente estável, com crescimento de 0,1% em janeiro na comparação anual, o Paraná passou a registrar sucessivas quedas no volume das atividades turísticas: -4,5% em fevereiro, -3,9% em março, -3,1% em abril, -7,7% em maio e -12,1% em junho.

Para o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, a desaceleração das atividades turísticas no Paraná e no Brasil está alinhada ao menor ritmo de expansão da economia brasileira.

Junho acentua retração

O desempenho de junho aprofundou a perda de ritmo observada nos meses anteriores. Na comparação com maio, o volume das atividades turísticas caiu 3,9% no Paraná. No Brasil, a redução mensal foi de 3,4%. Já na comparação com junho de 2025, a retração paranaense chegou a 12,1%, mais que o dobro da queda nacional, de 5,3%.

Para Dezordi, os resultados mais recentes mostram uma intensificação da desaceleração, influenciada principalmente pelo transporte aéreo de passageiros. “Esse é o segmento que mais está registrando queda nas atividades turísticas, principalmente pelo avanço do preço das passagens aéreas. O segmento já vinha desacelerando desde o final do ano passado, mas, nos últimos dois ou três meses, registramos uma intensificação desse movimento”, analisa.

Segundo o assessor econômico da Fecomércio PR, a elevação das tarifas aéreas ganhou força a partir de fevereiro. “Desde o conflito no Oriente Médio, o preço das passagens aéreas vem subindo de forma muito forte e, com isso, inibindo naturalmente o transporte de passageiros pela via aérea”, acrescenta.

Crescimento em 12 meses perde força

Apesar da retração registrada no primeiro semestre, o turismo paranaense ainda mantém resultado positivo no acumulado dos últimos 12 meses, mas a margem vem diminuindo mês a mês.

Em janeiro, o indicador acumulado em 12 meses mostrava crescimento de 5,6% no Paraná. Em fevereiro, passou para 4,5%, seguido por 4,0% em março, 3,4% em abril e 1,8% em maio. Em junho, a expansão ficou em apenas 0,3%. No Brasil, o crescimento acumulado em 12 meses também desacelerou e chegou a 1,0%.

“O crescimento nos últimos 12 meses foi de apenas 1% no Brasil e de 0,3% no Paraná, mostrando uma desaceleração da atividade turística na economia brasileira e na paranaense, principalmente no ramo de transporte aéreo de passageiros”, observa o economista.

O movimento representa uma inversão em relação ao início do ano. Em janeiro, o Paraná ainda apresentava desempenho acumulado superior ao nacional, com alta de 5,6% ante 4,8% no país. Ao final do semestre, passou a crescer abaixo da média brasileira nessa comparação.

Desempenho entre os estados

Os maiores crescimentos nos últimos 12 meses foram registrados pelo Rio Grande do Sul, com 6,4%, Rio de Janeiro, com 6,1%, e Bahia, com 4,3%. Com seus 0,3%, o Paraná figura na 12ª posição no comparativo de vendas. No outro extremo, já acumulam retração Ceará (-0,5%), Pernambuco (-1,8%), Santa Catarina (-4,5%), Goiás (-4,8%) e Minas Gerais (-6,2%).

Para os próximos meses, Dezordi avalia que uma eventual estabilização dos preços de alguns dos principais serviços relacionados às viagens poderá contribuir para uma melhora da atividade. “Esperamos que nos próximos meses a economia do turismo possa se recuperar, tanto no cenário nacional quanto no paranaense, se os preços começarem a se estabilizar, principalmente no que diz respeito às passagens aéreas, hospedagem e pacotes turísticos”, afirma.

Fonte: Assessoria

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