O BIM (Building Information Modeling, ou modelagem da informação da construção) já chegou às prefeituras do Noroeste do Paraná, mas de forma tímida: a maioria dos municípios avaliados ainda está na fase pré-BIM, e os demais, em nível inicial.
A constatação é da Apeap (Associação Profissional dos Engenheiros e Arquitetos de Paranavaí) e está no caderno técnico “Modernização da Engenharia Pública com BIM e Inteligência Artificial”, lançado recentemente. A publicação reúne o diagnóstico regional, traça o perfil de maturidade dos municípios, propõe soluções estratégicas, mapeia programas e fontes de recursos e apresenta um roteiro de implementação ajustável à realidade de cada prefeitura.
O BIM é uma metodologia colaborativa: em vez de desenhos isolados, os projetos são desenvolvidos em modelos digitais tridimensionais que reúnem informações físicas, técnicas e operacionais da obra antes mesmo da construção.
Mais do que um software de desenho, o BIM funciona como um banco de dados integrado que acompanha todas as fases do empreendimento, do planejamento à operação e à manutenção.
A Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021) já prevê a adoção preferencial do BIM em obras e serviços de engenharia. Nas prefeituras da região, porém, a implantação esbarra em equipes pequenas e sobrecarregadas, orçamento limitado e, segundo o diagnóstico, sobretudo, falta de regras e processos definidos.
É aí que entra o caderno técnico, pensado como um guia prático para que os municípios avancem na transformação digital. Rafael Tuler, diretor da Apeap e engenheiro de produção e de segurança do trabalho, concebeu a metodologia do diagnóstico. Para ele, a mudança é urgente porque pode reduzir o retrabalho, os aditivos contratuais e as perdas de informação, além de dar mais transparência ao uso do dinheiro público.
Segundo Tuler, o BIM e a inteligência artificial (IA) dependem das mesmas bases: regras claras, pessoas preparadas e dados organizados. “A dificuldade das prefeituras não é comprar software. O que falta é organizar o processo: definir regras, responsáveis e rotinas. Sem isso, o BIM vira só um desenho em 3D”, afirma.
O levantamento também mostra que a IA já faz parte da rotina dos servidores, mas quase sempre de maneira informal, sem regras definidas.
Caderno técnico – Para chegar a esse retrato, a Apeap obteve recursos do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), por meio do Edital de Chamamento Público nº 1/2026, e fez um levantamento da situação das prefeituras da Amunpar (Associação dos Municípios do Noroeste Paranaense), parceira do projeto.
A maioria das prefeituras associadas respondeu aos formulários da pesquisa, e a equipe técnica visitou municípios-piloto para conhecer de perto os setores de engenharia e ouvir os servidores sobre as dificuldades do dia a dia. Com isso, foi possível organizar as demandas e apontar formas de otimizar tempo, recursos financeiros e trabalho das equipes.
Todo esse conteúdo está reunido no caderno técnico, já disponível em formato digital e com versão impressa prevista. A proposta é que os gestores municipais usem os dados para implantar o BIM e a IA de forma prática, eficiente e em conformidade com a Lei de Licitações.
(Fonte: Assessoria/Apeap)













