A obra de controle e recuperação da erosão no Emissário Água da Mina, em Loanda, no Noroeste do Paraná, alcançou em agosto 87,6% de execução. Neste momento, a frente de trabalho se concentra no aterro de solo na cabeceira da voçoroca para, na sequência, iniciar a construção do parque linear. A intervenção é fruto de um convênio entre o Governo do Estado, por meio do Instituto Água e Terra (IAT), e a Itaipu Binacional, com investimento total de R$ 46,1 milhões, sendo R$ 21 milhões do IAT. A previsão é que a obra seja concluída em dezembro.
“A erosão era tão grande que estava invadindo a cidade, ia acabar por dividir Loanda, por isso a importância dessa obra, que traz segurança para os moradores da região. Fizemos diversos estudos geológicos e encontramos um projeto para frear essa erosão. Alcançamos mais de 87% e vamos entregar essa solução ambiental para a população de Loanda nos próximos meses”, destacou o governador Carlos Massa Ratinho Junior.
A área era considerada uma das maiores erosões urbanas (voçorocas) do Brasil, se estendendo por pelo menos oito quilômetros e chegando a 15 metros de altura em alguns locais. O projeto, elaborado em conjunto com a Embrapa, prevê a construção de um canal retangular em concreto armado, com 1.240 metros de comprimento, composto por um dissipador que receberá uma vazão de 55,07 metros cúbicos por segundo. O componente atuará para reduzir a velocidade da água, evitando assim a formação de novos processos erosivos. A proposta busca melhorar a microdrenagem da região, reorganizando a drenagem urbana da cidade.

“Esse é o olhar do Governo do Estado para o Noroeste, para solucionar os problemas da região. Região que costumo chamar de a rota do progresso, do desenvolvimento sustentável do Paraná”, afirmou o governador.
O projeto contempla ainda a implantação de um parque urbano com o plantio de espécies arbóreas em 30 hectares ao longo das duas margens da erosão. A estrutura contará com pista de caminhada e campo de futebol, além de um viveiro para produção de mudas de espécies nativas.
De acordo com o engenheiro civil do IAT na região Noroeste, Guilherme Winston da Silva Oliveira, além dos danos estruturais, a execução da obra busca superar desafios ambientais. “Temos ali a perda de solo, o assoreamento de cursos de água e a degradação da vegetação no entorno da voçoroca e na sua cabeceira. Por isso optamos pela criação de um parque urbano na região, que além de representar um ambiente de lazer para moradores de Loanda, servirá para atenuar o impacto do principal agente causador da erosão, a água, que passará a ser melhor absorvida em solo coberto com áreas verdes”, afirmou.
Ele explicou que a erosão em Loanda se estabeleceu ao longo dos anos, a partir do lançamento da drenagem pluvial do próprio município. Esse sistema capta a água da chuva que escoa por telhados, ruas e calçadas e a direciona para pontos afastados da área urbana, geralmente em zonas rurais ou periurbanas. Com a expansão da cidade, as vazões e velocidades do escoamento aumentaram, intensificando a abertura da voçoroca.

“Por isso a importância de implantar áreas verdes capazes de infiltrar parte das chuvas, criar bacias de amortecimento em regiões muito impermeabilizadas e instalar dissipadores de energia adequados para receber os escoamentos”, destacou Oliveira.
ARENITO CAIUÁ – Loanda está localizada na Formação Arenito Caiuá, que ocupa cerca de 3,1 milhões de hectares no Noroeste do Paraná, abrangendo 107 municípios da região, o que corresponde a aproximadamente 15% da área do Estado. O solo nessas cidades costuma ser arenoso e possui baixos teores de matéria orgânica. Por isso, se decompõem facilmente e possuem baixa capacidade de retenção de água, ficando mais sujeito à erosão.



