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Flávio Bolsonaro promete ampliar irrigação no cerrado, onde sistema faz rios minguarem

Caso seja eleito presidente, Flávio Bolsonaro (PL) promete aumentar o uso da água para irrigação de lavouras, em especial no Matopiba. Polo agropecuário no encontro de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a região convive com a diminuição na vazão de rios e a extinção de nascentes associadas à atividade.

Em seu plano de governo, o filho mais velho de Jair Bolsonaro diz que vai “ampliar significativamente a área irrigada do país, que hoje aproveita apenas uma fração do seu enorme potencial”. Também afirma que simplificará o processo de autorização para extração de água (chamada de outorga) e “desenvolver polos de irrigação no Matopiba e no semiárido nordestino”.

Enquanto o semiárido é caracterizado pela irregularidade das chuvas e pelas altas temperaturas, resultando no risco constante de escassez hídrica, o cerrado, onde fica o Matopiba, é onde nascem 8 das 12 bacias hidrográficas do Brasil. Estudos mostram, porém, que essa abundância vem sofrendo o impacto da ampliação da irrigação de lavouras, principalmente de soja, milho e algodão.

Um artigo publicado em 2021 na revista científica Water foca o uso de água para irrigação na bacia do rio Corrente, no oeste da Bahia, coração do Matopiba.

O oeste baiano é uma das regiões brasileiras em que a produção agrícola depende mais da irrigação. A maioria é feita usando pivôs centrais: equipamentos se movem girando em torno de seu eixo e dão o característico formato redondo de muitas plantações.

A pesquisa mostra que as áreas irrigadas por pivô central na bacia aumentaram de 240 para 43,6 mil hectares entre 1986 e 2018, enquanto isso, a vazão do rio Pratudão, um dos mais importantes da região, diminuiu 38%.

Os pesquisadores observam que a captação da água acontece nos planaltos, onde ficam as grandes plantações de soja, mas a escassez hídrica se manifesta nos vales, situados rio abaixo, onde vivem as comunidades tradicionais. Isso dificulta estabelecer a relação entre a expansão do agronegócio e o esgotamento dos recursos hídricos em um contexto de crise climática.

Fonte: JÉSSICA MAES - DA FOLHAPRESS

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