Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
ACIAP – Jantar (Grande)
CRESOL
Prefeitura Paranavaí – OUTUBRO ROSA
Dr. Cleyton
Casa Maringá – Outubro
ONIL X
Compartilhe:

DEBATE

Pacificação nacional, o objetivo maior

*Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

Não me consta que o País já tenha vivido um dia de posse dos eleitos sob tensão e medidas de segurança como as agora adotadas em Brasília e, possivelmente, em outras capitais onde as autoridades identifiquem possíveis riscos. Além das manifestações nas portas dos quartéis – que vêm desde o dia da divulgação dos resultados das urnas – já ocorreram os incidentes decorrentes da prisão do cacique Serere, onde veículos foram incendiados e houve tentativa de invasão da sede da Polícia Federal, O encontro da bomba no aeroporto, da bolsa de roupas sujas deixada próxima ao hotel e confundida com explosivos, e muitos informes intimida dores que podem ser “fake-news” mas ninguém tem disposição de esperar e “pagar para ver” se falsos ou verdadeiros, amedrontam a todos. Em dois momentos reconhecidamente difíceis – a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, (quando os militares obstavam a posse do vice João Goulart) e em 1964, quando o general Castello Branco assumiu, inaugurando o ciclo de governos militares que duraria 21 anos – não houve tanta tensão, pois tudo ocorria como coisa decidida e o povo não estava insuflado como atualmente.

Desta vez, mesmo com a inédita proibição do porte e transporte de armas em todo o Distrito Federal, a posse não terá a participação do Rolls-Royce conversível que desde os anos 50, quando o governo brasileiro o recebeu de presente da rainha da Inglaterra, transportou, em desfile, o presidente durante a solenidade de posse. As armas estão proibidas, mas sabe-se que isso não é obedecido pelos criminosos e, especialmente, por quem possa estar pensando em atentar contra a vida do presidente ou de qualquer de seus convivas. Recorde-se que, mesmo sabendo que é proibido, Adélio Bispo andou no meio da multidão com a faca que usou para golpear Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG). A propósito, a Nação até hoje ainda não sabe a motivação do ataque. Pode ter tido mandante ou não, dependendo do grau de desequilíbrio social e psicológico do agressor. E ainda mais: no atual quadro polarizado, ninguém é capaz de garantir a inexistência de outros potenciais psicopatas que possam fazer o mesmo a diferentes alvos e motivações ou mesmo sem motivo algum. Cautela é a melhor opção.

Mais importante do que a agenda que o novo governo pretende cumprir é a pacificação. A exacerbação dos politicamente divergentes é um perigoso componente deste momento na vida nacional. As lideranças das diferentes correntes de pensamento político têm o dever de atuar no objetivo de baixar os ânimos e desencorajar os atos extremados e de desobediência civil, que prejudiquem diretamente os praticantes,  intranquilizem a população e possam gerar conflitos de consequências inimagináveis, até com o derramamento de sangue e o sacrifício de vidas.

As autoridades de todos os níveis precisam observar atentamente os seus deveres e prerrogativas e exercê-los plenamente sem, jamais, extrapolar para seara alheia. E, se a invasão  de seu ocorrer, os titulares da área invadida não podem se acovardar porque, eleitos, são eles representantes do povo e em nome deste, têm a obrigação de manter íntegro o poder que lhes foi outorgado. Com cada um cumprindo fielmente suas obrigações, dificilmente haverá a interferência de um poder nas atribuições dos outros porque não haverá o espaço disponível e penetrável. Para isso, todos têm de agir com responsabilidade e, principalmente, dignidade.

Uma vez consolidada a posse dos eleitos, não haverá mais razão para os divergentes permanecerem em manifestações públicas. Mas a cessação desses atos tem, necessariamente, de ser fruto de negociação, jamais de truculência. Apesar de tudo, a tensão ainda se faz presente e a possibilidade de distúrbios também.

Espera-se que todos os atores desse momento atuem com boa vontade. Além de acalmar o povo, eles próprios também baixem a bola e evitem o nefasto clima de campanha eleitoral permanente que tanto mal tem feito ao país durante a última década. Quem está no governo precisa ter espaço e tranquilidade para cumprir o seu papel e executar os trabalhos que prometeu ao povo para conquistar o voto. E os que estão do lado de fora que se contenham para não prejudicar a execução dos serviços que o governo é encarregado de prestar à Nação. E se preparem para, na hora certa, apresentar suas propostas e, se conseguirem convencer, ganhar as futuras eleições.

O Brasil precisa de trégua. Não podemos viver permanentemente sob o discurso de terra arrasada e de criminalização das lideranças. O povo quer tranquilidade para viver, produzir e ser feliz. Tudo o que atrapalhar esses objetivos, deve ser evitado.

*Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

[email protected]

Compartilhe: